Todas as escalas menores

Acontece que as composições mais comoventes foram escritas em tons menores. Acredita-se que o modo maior soa alegre e o modo menor soa triste. Nesse caso, tenha um lenço à mão: toda esta lição será dedicada aos modos menores «tristes». Nela, aprenderá o que são esses tons, como diferem dos maiores e como tocar escalas menores.
Pela natureza da música, acho que você distinguirá inequivocamente entre um modo maior alegre e enérgico e um modo menor suave, muitas vezes triste, melancólico e, às vezes, trágico. Lembre-se da música da Marcha Nupcial de Mendelssohn e da Marcha Fúnebre de Chopin, e as diferenças entre maior e menor se tornarão mais do que óbvias para você.
Espero que você não tenha desistido das escalas. Vou lembrá-lo da importância dessas atividades aparentemente enfadonhas. Imagine que você para de se movimentar e de exercitar o corpo. Qual será o resultado? O corpo ficará flácido, fraco e, às vezes, gordo :-). O mesmo acontece com os dedos: se você não os treinar todos os dias, eles ficarão fracos e desajeitados e não serão capazes de tocar as peças que você tanto ama. Até agora, você só tocou escalas maiores.
Escalas menores
Vou dizer logo: as escalas menores não são menos importantes do que as escalas maiores. Apenas o seu nome pode parecer injusto.
As escalas menores, assim como as maiores, consistem em oito notas, sendo que a primeira e a última têm o mesmo nome. No entanto, a ordem dos intervalos nelas difere. Numa escala menor, os intervalos são organizados assim:
Tom – Semitom – Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom
Para comparação, na escala maior os intervalos são: Tom – Tom – Semitom – Tom – Tom – Tom – Semitom.
À primeira vista, os intervalos podem parecer semelhantes, mas na verdade os tons e semitons estão dispostos em ordens diferentes. Para sentir essa diferença, é melhor tocar e ouvir as escalas maiores e menores uma após a outra.
Como você provavelmente já percebeu, a principal diferença entre os modos maior e menor está no terceiro grau, a chamada terça: no modo menor ela é rebaixada, formando um intervalo de terça menor com a tônica.
Outra diferença é que, no modo maior, os intervalos são sempre constantes, enquanto no modo menor os intervalos dos graus superiores podem variar, criando três tipos diferentes de menor. Talvez seja justamente essa diversidade do modo menor que inspire a criação de obras brilhantes.
Então, quais são esses tipos de escala menor?
Existem três tipos de escala menor:
- menor natural;
- menor harmônica;
- menor melódica.
Cada tipo de escala menor é caracterizado por sua própria estrutura de intervalos. Até o quinto grau, elas são iguais nos três tipos, mas no sexto e sétimo graus surgem diferenças.
Menor natural: tom – semitom – tom – tom – semitom – tom – tom.
A escala menor harmônica difere da menor natural pelo sétimo grau elevado, que se aproxima da tônica. O intervalo entre o sexto e o sétimo graus aumenta para um tom e meio, formando uma segunda aumentada. Isso confere à escala um som característico “oriental”, especialmente perceptível no movimento descendente.
Na escala menor harmônica, os intervalos são organizados da seguinte forma: tom – semitom – tom – tom – semitom – tom e meio – semitom.
Outra variação da escala menor é a menor melódica, também conhecida como menor jazz, pois é amplamente utilizada no jazz. No entanto, esse tipo de menor já era usado muito antes do surgimento do jazz por compositores como Bach e Mozart.
A particularidade da menor melódica é que o sexto e o sétimo graus são elevados. Isso resulta na seguinte sequência de intervalos:
tom – semitom – tom – tom – tom – tom – semitom.
Esse tipo de escala é usado no jazz, na música clássica e em muitos outros estilos, conferindo às melodias uma expressividade especial.
Gosto de chamar essa escala de “instável”, pois ela não consegue decidir se soa maior ou menor. Observe a ordem dos intervalos: os quatro primeiros correspondem à escala menor, e os três últimos à escala maior.
Agora vamos passar à questão de como determinar o número de acidentes nas diferentes tonalidades menores.
Tonalidades paralelas
É aqui que surge o conceito de tonalidades paralelas. Tonalidades maiores e menores que possuem o mesmo número de acidentes (ou nenhum, como no caso de dó maior e lá menor) são chamadas de paralelas. Elas estão sempre separadas por uma terça menor — a tonalidade menor é construída sobre o sexto grau da escala maior.
Embora as tônicas das tonalidades paralelas sejam diferentes e a estrutura dos intervalos também, a proporção entre teclas brancas e pretas permanece a mesma. Isso confirma que a música está sujeita a leis matemáticas rigorosas e que, ao compreendê-las, é possível navegar livremente pelo espaço musical.
Entender a relação entre tonalidades paralelas é simples: toque a escala de dó maior e depois comece no sexto grau e vá até o mesmo sexto grau na oitava superior — essa será a escala menor natural de lá menor.
Abaixo está uma lista de tonalidades paralelas com seus nomes em notação latina e o número de acidentes.
- C-dur / a-moll;
- G-dur / e-moll (1 sustenido);
- D-dur / h-moll (2 sustenidos);
- A-dur / fis-moll (3 sustenidos);
- E-dur / cis-moll (4 sustenidos);
- H-dur / gis-moll (5 sustenidos);
- Fis-dur / dis-moll (6 sustenidos);
- F-dur / d-moll (1 bemol);
- B-dur / g-moll (2 bemóis);
- Es-dur / c-moll (3 bemóis);
- As-dur / f-moll (4 bemóis);
- Des-dur / b-moll (5 bemóis);
- Ges-dur / es-moll (6 bemóis).
Agora que você já tem uma ideia da escala menor, é hora de colocar esse conhecimento em prática. Claro, é preciso começar pelas escalas. Abaixo está uma tabela com todas as escalas maiores e suas escalas menores paralelas, com digitações detalhadas. Reserve tempo suficiente para estudar e não tenha pressa.
Relembrando como praticar escalas
- Toque a escala lentamente, com cada mão separadamente, por 4 oitavas para cima e para baixo. Observe que, nas partituras, os números dos dedos aparecem acima e abaixo das notas: os números acima referem-se à mão direita, e os abaixo, à mão esquerda;
- Note que a escala menor melódica, diferentemente das outras escalas menores, é construída de forma diferente ao subir e ao descer. No movimento descendente, utiliza-se a escala menor natural — o sexto e o sétimo graus retornam à sua posição original;
- Combine a execução com as duas mãos;
- Aumente gradualmente o andamento, garantindo que a execução permaneça uniforme e rítmica.
Na verdade, um compositor não é obrigado a usar todas as notas da mesma escala. Para ele, a escala é como um menu do qual se pode escolher notas individuais.
As escalas maior e menor são, sem dúvida, as mais populares, mas não são as únicas no mundo da música. Não tenha medo de experimentar alternando intervalos nas escalas maior e menor. Substitua um tom por um semitom ou vice-versa e ouça o que acontece.
Isso criará uma nova escala — nem maior nem menor. Algumas soarão maravilhosas, outras desagradáveis e outras ainda exóticas. Criar novas escalas não é apenas permitido, mas recomendado. Novas escalas levam ao surgimento de novas melodias e harmonias.
As pessoas experimentam intervalos desde o início da música. Embora a maioria das escalas experimentais não tenha se tornado tão popular quanto as maiores e menores, algumas delas são usadas em diferentes estilos musicais como base para melodias.
E, por fim, aqui estão alguns exemplos interessantes de músicas em tonalidades menores.









