O que é Rock Indie
O indie rock surgiu no início da década de 1980 no Reino Unido, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia. Na época, o termo se referia à música lançada por gravadoras independentes, mas logo passou a representar uma estética mais ampla — crua, experimental e guiada mais pela visão do que por fórmulas comerciais.
Uma das bases mais antigas do gênero foi o "som de Dunedin" da Nova Zelândia, com bandas como The Chills e The Clean. Nos EUA, as rádios universitárias foram fundamentais na promoção de artistas como The Smiths e REM, dando espaço para músicas que pareciam estar fora do mainstream. Em meados da década de 80, o indie rock começou a se consolidar como um movimento próprio, impulsionado pela coletânea NME C86 do Reino Unido e pela ascensão underground de bandas como Sonic Youth e Dinosaur Jr. nos Estados Unidos.
Os anos 90 trouxeram uma onda de novos subgêneros:
- Slowcore , com seus tempos melancólicos e prolongados;
- Emo do Meio-Oeste , conhecido por suas letras sinceras;
- Slacker rock , caracterizado por uma execução descontraída e estética lo-fi;
- O shoegaze é definido pelo uso intenso de efeitos de guitarra e vocais introspectivos.
Com o surgimento do grunge e do britpop, a indústria mainstream começou a se apropriar dos sons indie. As grandes gravadoras investiram na "imagem indie" como ferramenta de marketing, o que gerou uma divisão: algumas bandas abraçaram a exposição, enquanto outras se esforçaram para permanecer fora dos holofotes.
Nos anos 2000, o indie rock deu mais um salto para o estrelato. Bandas como The Strokes, The Libertines, Arctic Monkeys e The Killers trouxeram uma energia revivalista pós-punk que se conectou com uma nova geração. Esse boom levou a uma explosão de bandas com sonoridade semelhante — uma onda que a imprensa britânica mais tarde apelidou de "indie de lixão".
Ainda assim, em meio a todas as mudanças, o indie rock permaneceu fiel às suas raízes — centrado na liberdade criativa, no espírito do "faça você mesmo" e no instinto de desafiar as normas.
O que torna uma música indie: som, espírito e estilo
O termo “indie” surgiu no final da década de 1970 em Manchester, quando a banda Buzzcocks lançou seu EP Spiral Scratch sem o apoio de uma grande gravadora. Esse momento marcou o início de um novo tipo de independência musical.
O cenário indie não se resume a quem lança a música — trata-se de controle criativo. Os artistas gerenciam suas próprias gravações, direção e sonoridade sem a pressão de grandes nomes da indústria. Essa liberdade resulta em músicas que rompem com fórmulas e soam mais pessoais e originais.
Estilisticamente, o indie bebe de diversas fontes: punk, grunge, pop, hip-hop e até rock psicodélico. É assim que surgem bandas como The White Stripes, que misturam garage rock com blues, ou Young the Giant, que combinam refrões cativantes com texturas de guitarra complexas.

As Listras Brancas

Jovem o Gigante
Mesmo com toda essa variedade, a música indie ainda carrega uma energia inconfundível. É crua, é honesta e é impulsionada pela visão do artista — não por tendências ou paradas comerciais.
Características definidoras do indie rock: som, visão e contraste
O indie rock é mais do que um gênero musical — é uma mentalidade, uma forma de criar e compartilhar música. A palavra “indie” vem de “independente” e originalmente se referia a artistas e bandas que lançavam músicas por meio de pequenas gravadoras com orçamentos reduzidos. Mesmo quando a distribuição envolvia grandes empresas, esses artistas buscavam preservar o controle criativo e evitar serem influenciados pelas tendências da indústria.
Essa independência abriu as portas para a experimentação — com sons, temas e emoções — muitas vezes bem distante do que a música mainstream oferecia. O indie rock sempre se inspirou em diversas influências:
- punk e pós-punk (Buzzcocks, Wire, Television);
- Psicodelia e garage rock dos anos 60 (Velvet Underground, The Doors);
- art rock e estética lo-fi;
- Toques de música country e folclórica.
Segundo o AllMusic, o indie rock engloba artistas cujas abordagens musicais muitas vezes divergem do gosto do público em geral. Abrange desde o grunge com guitarras marcantes até o folk punk e o rock de vanguarda. O que os une não é o estilo em si, mas sim uma busca compartilhada por autonomia e originalidade.
Em seu livro, Brent Luvaas destaca como o indie rock está enraizado na nostalgia — pelo som dos anos 60, pelo espírito faça-você-mesmo e por letras que frequentemente carregam uma profundidade literária. Essa influência pode ser ouvida em bandas como The Smiths e The Stone Roses, que enfatizaram tanto a atmosfera quanto a narrativa.
O musicólogo Matthew Bannister certa vez descreveu o gênero como "pequenos grupos de caras brancos com guitarras", que se inspiravam no punk e no rock dos anos 60, mas se distanciavam deliberadamente das normas comerciais. A antropóloga Wendy Fonarow identificou duas mentalidades principais no cenário indie:
- O “purista” — que privilegia o minimalismo, a autenticidade e a honestidade emocional;
- O “romântico” — mais expressivo, excêntrico e estilisticamente ousado.
Essa divisão foi especialmente visível na década de 1990. As bandas do Reino Unido inclinavam-se para a performance e o estilo estético, enquanto muitos artistas americanos adotavam um som lo-fi e cru como marca de autenticidade.
O rock indie também abriu mais espaço para as mulheres. O movimento riot grrrl, liderado por bandas como Bikini Kill, Bratmobile e Team Dresch, desafiou as normas não apenas subindo ao palco, mas também moldando as ideias por trás da música. Ainda assim, como observa Courtney Harding, essa mesma igualdade não se estendeu à liderança — as mulheres que dirigem gravadoras independentes continuam sendo minoria até hoje.

Bikini Kill
O indie rock abrange uma ampla gama de estilos — do indie pop com sintetizadores ao pós-punk cru e até influências do hip-hop — mas a maioria das bandas indie compartilha alguns valores fundamentais em sua abordagem à música.
- Ética do "faça você mesmo" . A maioria dos artistas independentes opera sem o apoio financeiro de grandes gravadoras. Eles pagam pelo tempo de estúdio do próprio bolso ou gravam em casa com o equipamento que têm. Essa abordagem prática mantém o processo totalmente independente — da primeira demo ao lançamento final;
- Estética Lo-Fi . Antes que softwares como Pro Tools e Logic se tornassem amplamente acessíveis, músicos independentes muitas vezes não tinham condições de contratar estúdios profissionais. Isso deu origem a um som lo-fi característico — guitarras com timbre áspero, ruído de fundo e um acabamento propositalmente grosseiro. Mesmo hoje, alguns artistas mantêm essa textura de propósito, usando as imperfeições como parte de sua identidade artística.
- Composição própria . Ao contrário do pop ou do hip-hop mainstream, onde as músicas são frequentemente criadas por equipes de produtores e compositores, a música indie é tipicamente escrita pelos próprios artistas. Isso pode significar cantoras e compositoras solo como Phoebe Bridgers, ou bandas completas como Fugazi ou Sleater-Kinney, onde a composição é um esforço coletivo — não terceirizada para profissionais;
- Autenticidade acima de ostentação . O indie rock não se resume a solos virtuosos ou acrobacias vocais. Ele se concentra em performances honestas e humanas. Muitas bandas indie conseguem reproduzir facilmente seu som gravado ao vivo sem precisar de uma equipe de músicos de estúdio — e essa entrega crua e sem filtros é exatamente o que conecta os fãs. É menos sobre perfeição e mais sobre emoção genuína.
Como começou a cena indie rock: dos Buzzcocks ao som de Dunedin
O documentário da BBC, Music for Misfits: The Story of Indie, atribui a origem do termo "indie" ao lançamento, em 1977, de Spiral Scratch, um EP autofinanciado pela banda punk de Manchester Buzzcocks, lançado por sua própria gravadora, a New Hormones. Essa iniciativa desencadeou uma onda de atividade "faça você mesmo" — as bandas começaram a gravar, imprimir e distribuir suas próprias músicas. Grupos como Swell Maps, 'O' Level, Television Personalities e Desperate Bicycles logo seguiram o exemplo.

Buzzcocks
A distribuição cresceu com a ajuda do The Cartel, uma rede de pequenas distribuidoras como a Red Rhino e a Rough Trade Records, que ajudou a levar lançamentos independentes para lojas de discos em todo o Reino Unido. Essa infraestrutura deu à música independente uma presença física nas lojas, permitindo que ela competisse com os lançamentos das grandes gravadoras.
As gravadoras independentes também estavam fazendo sucesso fora do Reino Unido. Nos EUA, a Beserkley Records lançou o álbum de estreia do The Modern Lovers, e a Stiff Records lançou "New Rose" do The Damned, considerado o primeiro single punk britânico. Na Austrália, o The Saints lançou "(I'm) Stranded" por meio de sua própria gravadora, a Fatal Records, seguido pelo The Go-Betweens, que estreou com o single independente "Lee Remick".
Um capítulo crucial no desenvolvimento da música indie aconteceu em Dunedin, Nova Zelândia. No início dos anos 80, a gravadora Flying Nun Records foi fundada, tornando-se o lar de uma geração de artistas que moldaram o que ficou conhecido como o Som de Dunedin. De acordo com o Audioculture, uma das primeiras bandas dessa cena foi The Enemy, formada por Chris Knox e Alek Bathgate. Embora de curta duração, a banda deixou uma marca indelével em músicos mais jovens como Shayne Carter, que posteriormente formou bandas como DoubleHappys e Straitjacket Fits.
Após o fim do The Enemy, Knox formou o Toy Love e, mais tarde, o Tall Dwarfs, um dos primeiros grupos a adotar a gravação caseira e a estética lo-fi — elementos-chave no que viria a ser o som indie.
O som de Dunedin era marcado por guitarras vibrantes, vocais suaves e uma atmosfera melancólica. Ganhou maior reconhecimento com o single "Tally-Ho!" da banda The Clean, lançado em 1981, e com a coletânea "Dunedin Double", de 1982, que incluía bandas como The Chills, Sneaky Feelings, The Verlaines e The Rolling Stones. O estilo logo se espalhou para além de Dunedin, chegando a cidades como Christchurch e Auckland, ajudando a moldar o indie rock como um movimento cultural distinto.
Enquanto isso, nos EUA, as rádios universitárias tornaram-se cruciais para o surgimento da música independente na década de 1980. Elas transmitiam rock alternativo, pós-punk, pós-hardcore e new wave — sons raramente ouvidos no rádio comercial. Essas bandas eram coletivamente chamadas de rock universitário, um termo mais ligado à plataforma do que a qualquer gênero específico.
Artistas como REM e The Smiths foram especialmente influentes. O musicólogo Matthew Bannister os considera algumas das primeiras bandas verdadeiramente independentes. Sua influência pode ser ouvida em grupos como Let's Active, The Housemartins e The La's. Nessa época, o termo "indie rock" começou a se aplicar não apenas às gravadoras, mas também aos artistas que lançavam música de forma independente.
O jornalista Steve Taylor também apontou a cena Paisley Underground como um dos primórdios da música indie. O gênero se tornou mais sombrio e atmosférico nas mãos de artistas como The Jesus and Mary Chain e Jean-Paul Sartre Experience, ambos associados à Flying Nun.
Por fim, após esforços de lobby da NPR que levaram à redução do número de estações de rádio universitárias, o termo "rock universitário" começou a desaparecer. Em seu lugar, um rótulo mais flexível e duradouro ganhou força — indie — que definiria uma geração musical que priorizou a criatividade, a independência e a autodireção.

Jesus and Mary Chain
A Evolução do Indie Rock: De C86 a Grebo e Shoegaze
No Reino Unido, um ponto de virada crucial para a cena indie ocorreu com o lançamento de C86, uma fita cassete compilada pela NME em 1986. Ela apresentava faixas de Primal Scream, The Pastels, The Wedding Present e outros artistas que misturavam jangle pop, pós-punk e a produção "Wall of Sound" ao estilo de Phil Spector. Mais tarde, o crítico Bob Stanley a chamou de "o início da música indie". O termo C86 rapidamente se expandiu para além da própria fita cassete, tornando-se uma abreviação para toda uma onda de bandas com sons leves e lo-fi — frequentemente rotuladas como anorak pop ou shambling indie. Enquanto alguns artistas como Soup Dragons, Primal Scream e The Wedding Present alcançaram sucesso nas paradas musicais, muitos outros caíram no esquecimento.
Nos Estados Unidos, a ascensão do REM ofereceu uma alternativa à intensidade do hardcore, abrindo caminho para novos músicos — particularmente aqueles que moldariam a cena pós-hardcore, como o Minutemen. Grandes gravadoras perceberam o potencial e chegaram a contratar bandas como Hüsker Dü e The Replacements, embora seus lançamentos não tenham alcançado o mesmo sucesso comercial do REM. Mesmo assim, sua influência foi duradoura. No final dos anos 80, bandas como Sonic Youth, Dinosaur Jr. e Unrest lançavam músicas por meio de selos independentes e, ao final da década, Sonic Youth e Pixies assinaram com grandes gravadoras.
Por volta dessa época, o shoegaze surgiu como um subgênero do indie rock, expandindo o estilo "muro de som" pioneiro do The Jesus and Mary Chain. O shoegaze fundiu essa textura com elementos de Dinosaur Jr. e Cocteau Twins, criando uma atmosfera sombria e nebulosa onde os instrumentos frequentemente se misturavam. O My Bloody Valentine foi um dos pioneiros com seus EPs e o álbum de estreia, Isn't Anything, inspirando uma nova onda de bandas de Londres e do Vale do Tâmisa, como Chapterhouse, Moose e Lush. Em 1990, Steve Sutherland, da Melody Maker, apelidou essa cena de "a cena que celebra a si mesma"
Entretanto, o movimento Madchester surgiu como um híbrido de indie rock ao estilo C86, música dance e cultura rave hedonista, com forte presença de psicodélicos. Com base em Manchester e centrado na boate Haçienda — inaugurada em 1982 pela Factory Records — o movimento absorveu energia de artistas como New Order, Cabaret Voltaire e The Smiths. Em 1989, os álbuns Bummed, do Happy Mondays, e o álbum de estreia do The Stone Roses já haviam definido a cena. Artistas como The Charlatans, 808 State e Inspiral Carpets logo surgiram em seguida.
O som de Madchester — uma mistura de indie com guitarras marcantes e batidas dançantes — ficou conhecido como indie dance, ou mais especificamente, o subgênero baggy. Um dos momentos que definiram o movimento foi o show do The Stone Roses em Spike Island, em 27 de maio de 1990. Com 28.000 fãs e 12 horas de duração, foi o primeiro grande evento desse tipo organizado por uma banda independente.
Ao mesmo tempo, uma cena distinta crescia em Stourbridge, conhecida como grebo. Bandas misturavam influências de punk, música eletrônica, folk e até hip-hop, criando um som mais pesado e sujo. Liderado por Pop Will Eat Itself, The Wonder Stuff e Ned's Atomic Dustbin, o movimento não era tanto um gênero, mas sim um momento cultural localizado. Seus singles entraram nas paradas — "Wise Up! Sucker" e "Can U Dig It?", do Pop Will Eat Itself, chegaram ao Top 40 do Reino Unido — e Stourbridge se tornou brevemente um local de peregrinação para fãs de indie.
Entre 1989 e 1993, álbuns fundamentais da cena grebo foram lançados: Hup e Never Loved Elvis, do The Wonder Stuff; God Fodder e Are You Normal?, do Ned's Atomic Dustbin; e This Is the Day… This Is the Hour… This Is This! e The Looks or the Lifestyle?, do Pop Will Eat Itself. Essas bandas se tornaram presença constante em festivais como o Reading, venderam milhões de discos e estamparam as capas da NME e da Melody Maker.
O que diferenciava o grebo não eram apenas suas influências ecléticas, mas também sua rejeição à atmosfera polida ou melancólica que definia grande parte do indie rock. A banda abraçou a distorção, a atitude e uma pegada mais agressiva. Bandas similares da vizinha Leicester — Bomb Party, Gaye Bykers on Acid, Crazyhead, Hunters Club e Scum Pups — logo se juntaram ao movimento, consolidando o lugar breve, porém marcante, do grebo na história do indie.
A divisão entre o mainstream e o underground no indie rock: a década de 1990
No início da década de 1990, a cena grunge de Seattle explodiu no mainstream. Bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains se tornaram nomes conhecidos, com o sucesso estrondoso do Nirvana atraindo enorme atenção para o rock indie. Como resultado, o termo rock indie começou a ceder espaço para rock alternativo — um rótulo que, com o tempo, perdeu seu significado original de contracultura. O que antes era associado à independência e ao status de outsider tornou-se sinônimo de uma versão mais comercialmente palatável do rock com guitarras, que agora dominava as paradas musicais.
Carl Swanson, escrevendo para a revista New York Magazine, argumentou que até mesmo o termo "vendido" começou a perder o significado nesse novo cenário, já que o grunge provou que até os movimentos mais nichados ou radicais podiam ser absorvidos pela cultura dominante. O que emergiu foi uma cultura fragmentada e individualista que ainda operava sob a influência das grandes gravadoras e da mídia.
O estudioso de mídia Roy Shuker, em seu livro "Popular Music: The Key Concepts", observou que o grunge essencialmente se tornou a versão mainstream da estética do rock indie norte-americano dos anos 80. Ele sugeriu que ser "independente" havia se tornado, naquela época, uma ferramenta de marketing tão importante quanto qualquer característica sonora reconhecível. Essa mudança causou uma clara divisão no mundo do rock indie: algumas bandas se voltaram para a acessibilidade das rádios de rock alternativo, enquanto outras intensificaram a experimentação e permaneceram firmemente no underground. De acordo com o AllMusic, foi durante esse período que o indie rock passou a ser definido de forma mais restrita — referindo-se especificamente aos artistas underground, enquanto seus pares de maior sucesso comercial foram rebatizados como alternativos.
Uma das respostas musicais mais claras a essa mudança foi o slowcore, que se desenvolveu nos EUA como um contraste direto ao crescente domínio do grunge. Embora os limites do slowcore sejam imprecisos, ele geralmente apresenta tempos lentos, instrumentação esparsa e letras melancólicas. O Galaxie 500 — particularmente seu álbum de 1989, On Fire — teve um enorme impacto no gênero. Como Robert Rubsam escreveu para o Bandcamp Daily, eles foram “o ponto de partida para tudo o que veio depois”. A primeira onda de bandas de slowcore incluiu Red House Painters, Codeine, Bedhead, Ida e Low. O gênero não estava atrelado a nenhuma cidade ou cena específica, e muitos de seus artistas se desenvolveram em relativo isolamento uns dos outros.
Por volta de 1991, uma vertente mais jovem e crua do movimento grebo começou a surgir. Essas bandas foram rotuladas como fraggle — um nome aplicado de forma um tanto irônica a grupos que se inspiravam fortemente no punk, no álbum Bleach do Nirvana e frequentemente usavam baterias eletrônicas. Stephen Klain, da Gigwise, descreveu o som como “guitarras sujas, cabelos ainda mais sujos e camisetas que só uma mãe lavaria”. Bandas fraggle notáveis incluíam Senseless Things, Mega City Four e Carter the Unstoppable Sex Machine. Elas carregavam o espírito indie, mas com uma energia mais caótica e um estilo visual assumidamente imperfeito.

Coisas sem sentido
O jornalista Charles Aaron, da revista Spin, descreveu Pavement e Guided by Voices como “as duas bandas que definiram o indie rock durante essa época e, para muitos, ainda personificam o significado do termo”. Ambos os grupos adotaram estilos de produção lo-fi que refletiam e romantizavam seu espírito faça-você-mesmo. O álbum Slanted and Enchanted, do Pavement, lançado em 1992, tornou-se um pilar do subgênero slacker rock. A revista Rolling Stone o considerou “o álbum de indie rock por excelência” e o incluiu em sua lista dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos.
Na região do Triângulo da Pesquisa, na Carolina do Norte, a cena indie era liderada por bandas contratadas pela Merge Records, incluindo Superchunk, Archers of Loaf e Polvo. Essas bandas moldaram um movimento regional influenciado tanto pelo hardcore punk quanto pelo pós-punk. Nessa época, publicações como a Entertainment Weekly chamavam Chapel Hill de "a próxima Seattle". O single "Slack Motherfucker", do Superchunk, também foi destacado pela revista Columbia como um hino definidor do indie rock dos anos 90 e um símbolo do estereótipo do "slacker".
Enquanto isso, no Reino Unido, a ascensão do Britpop relegou muitas bandas de indie rock do início do século XX a um segundo plano. Liderados por Blur, Oasis, Pulp e Suede, os artistas do Britpop se posicionaram inicialmente como alternativas underground — uma resposta ao domínio da cena grunge americana. Embora o Britpop devesse muito do seu estilo ao indie rock e tivesse surgido como parte dessa linhagem, muitas bandas rejeitaram o espírito anti-establishment inicial do gênero. Em vez disso, elas levaram o indie definitivamente para o mainstream, com artistas como Blur e Pulp assinando com grandes gravadoras.
Em seu ensaio "Labouring the Point? The Politics of Britain in 'New Britain'", a acadêmica e política Rupa Huq argumentou que o Britpop "começou como um desdobramento da cena musical independente britânica, mas pode ter acabado por matá-la, à medida que o indie e o mainstream convergiram — apagando o elemento de protesto que antes definia a música indie britânica". O jornalista musical John Harris traçou as origens do Britpop até a primavera de 1992, quando o quarto single do Blur, "Popscene", e o single de estreia do Suede, "The Drowners", foram lançados quase simultaneamente. "Se o Britpop começou em algum lugar", escreveu ele, "foi na onda de aclamação que saudou os primeiros singles do Suede: ousados, triunfantes e inconfundivelmente britânicos". O Suede foi o primeiro de uma nova onda de bandas com guitarras marcantes, abraçadas pela imprensa musical do Reino Unido como a resposta britânica ao grunge de Seattle. Seu álbum de estreia homônimo tornou-se o álbum de estreia mais vendido da história do Reino Unido na época.
Diversificando o Indie Rock
O álbum de estreia do Sunny Day Real Estate, Diary (1994), ajudou a inaugurar uma nova onda do emo, fundindo temas emocionais com a estética do indie rock. Ao lado de bandas como Piebald, The Promise Ring e Cap'n Jazz, a segunda onda do emo se distanciou de suas raízes hardcore, evoluindo para um gênero mais melódico e estruturalmente refinado.

Essa nova vertente do emo chegou ao mainstream no início dos anos 2000 com álbuns de platina como Bleed American (2001) do Jimmy Eat World e The Places You Have Come to Fear the Most (2001) do Dashboard Confessional. Um núcleo particularmente influente desse movimento surgiu no Meio-Oeste americano, onde bandas como American Football misturaram timbres de guitarra brilhantes e elementos de math rock em um som distinto. A crescente popularidade do emo também ajudou a impulsionar a visibilidade de bandas "intermediárias" como Death Cab for Cutie, Modest Mouse e Karate — bandas que não se encaixavam perfeitamente no emo ou no indie, mas prosperavam em algum ponto entre os dois gêneros.
Enquanto isso, o coletivo Elephant 6 — que incluía Apples in Stereo, Beulah, Circulatory System, Elf Power, The Minders, Neutral Milk Hotel e The Olivia Tremor Control — trouxe uma pegada psicodélica ao indie rock. Em Gimme Indie Rock, o autor Andrew Earles atribuiu ao coletivo — particularmente ao álbum On Avery Island (1996) do Neutral Milk Hotel — o mérito de manter o indie artisticamente relevante durante um período em que outros movimentos underground começavam a perder força ou a se popularizar.
A indietronica (ou música eletrônica indie) surgiu como outro ponto de fusão, misturando estruturas do indie rock com produção eletrônica — samplers, sintetizadores, baterias eletrônicas e softwares. Mais do que um gênero específico, a indietronica descreveu um movimento mais amplo no início dos anos 90 que se inspirou no krautrock, no synth-pop e em tradições experimentais como o BBC Radiophonic Workshop. Entre os artistas pioneiros estavam os britânicos Disco Inferno, Stereolab e Space, com a maioria deles vinculados a gravadoras como Warp, Morr Music, Sub Pop ou Ghostly International.
O space rock, outro ramo do indie, inspirou-se no rock psicodélico, em texturas ambientais e no estilo cósmico de bandas como Pink Floyd e Hawkwind. Iniciado com o Spacemen 3 nos anos 80, o estilo expandiu-se através de bandas como Spiritualized, Flying Saucer Attack, Godspeed You! Black Emperor e Quickspace, combinando drone, atmosfera e estrutura indie.
Com o declínio do Britpop no final dos anos 90, o pós-Britpop abriu seu próprio espaço dentro do indie rock britânico. Por volta de 1997, a desilusão com a Cool Britannia cresceu e as bandas começaram a se distanciar do rótulo Britpop — mesmo mantendo conexões estilísticas. Com o declínio do Britpop, novas bandas ganharam maior reconhecimento da crítica e do público. O álbum Urban Hymns (1997) do The Verve foi um sucesso mundial e marcou o auge comercial da banda antes de sua separação em 1999. O Radiohead, por sua vez, teve um sucesso modesto com The Bends (1995), mas alcançou o estrelato com OK Computer (1997), seguido pelos inovadores Kid A (2000) e Amnesiac (2001), conquistando aclamação generalizada.
O Stereophonics misturou influências do pós-grunge e do hardcore em álbuns como Word Gets Around (1997) e Performance and Cocktails (1999), antes de se voltar para composições mais melódicas em Just Enough Education to Perform (2001) e lançamentos posteriores.
O Feeder, originalmente enraizado no pós-grunge americano, encontrou um som mais pesado e radiofônico em seu single de sucesso "Buck Rogers" e no álbum "Echo Park" (2001). Após a morte do baterista Jon Lee, a banda seguiu uma direção mais introspectiva com "Comfort in Sound" (2002), que se tornou seu lançamento de indie rock de maior sucesso comercial, gerando uma série de singles de sucesso.
A banda de indie rock mais dominante comercialmente do novo milênio foi o Coldplay, cujos dois primeiros álbuns — Parachutes (2000) e A Rush of Blood to the Head (2002) — alcançaram o status de multi-platina, consolidando seu lugar como superestrelas globais quando X&Y foi lançado em 2005. Enquanto isso, Chasing Cars, do Snow Patrol (do álbum Eyes Open, de 2006), tornou-se a música mais tocada nas rádios do Reino Unido no século XXI.
A Ascensão do Rock Independente ao Mercado Convencional: Os Anos 2000
O renascimento do pós-punk e do garage rock
A ascensão do indie rock ao estrelato nos anos 2000 começou com o The Strokes e seu álbum de estreia de 2001, Is This It. Canalizando o espírito de bandas dos anos 60 e 70 como The Velvet Underground e The Ramones, a banda buscava soar, em suas próprias palavras, como “um grupo do passado que viajou para o futuro para fazer um disco”. Embora o álbum tenha alcançado o 33º lugar nos EUA, permaneceu nas paradas por dois anos e estreou em 2º lugar no Reino Unido. Na época, o rock mainstream era dominado pelo pós-grunge, nu-metal e rap-rock, fazendo com que o revival cru e garage rock do The Strokes soasse como um contraste marcante — e uma lufada de ar fresco.
O sucesso da banda ajudou a dar destaque a outros artistas nova-iorquinos com influências vintage, incluindo Yeah Yeah Yeahs, Interpol e TV on the Radio. Essa onda inspirada pelo garage rock também incluiu The White Stripes, The Vines e The Hives, que rapidamente foram apelidados de "As" bandas pela mídia. A Rolling Stone capturou o momento com sua capa de setembro de 2002, declarando: "O rock está de volta!"

O impulso gerado pelos The Strokes também desencadeou um renascimento no underground pós-Britpop do Reino Unido, que estava em declínio. Inspiradas pelo som da banda, diversas outras bandas britânicas começaram a reformular sua abordagem. Entre os primeiros destaques estavam Franz Ferdinand, Kasabian, Maximo Park, The Cribs, Bloc Party, Kaiser Chiefs e The Others. Mas os Libertines, formados em 1997, foram vistos como a resposta direta do Reino Unido aos Strokes. O AllMusic os descreveu como “uma das bandas britânicas mais influentes do século XXI”, enquanto o The Independent observou: “Os Libertines se propuseram a ser uma banda de indie rock importante, mas não poderiam ter previsto o quanto moldariam a cena”
Misturando influências de bandas como The Clash, The Kinks, The Smiths e The Jam, o The Libertines criou um som com guitarras estridentes e letras sobre a vida britânica, cantadas com inconfundíveis sotaques ingleses. Seu estilo rapidamente se espalhou para bandas como The Fratellis, The Kooks e The View, todas com grande sucesso comercial. Mas nenhum grupo teve um impacto maior do que o Arctic Monkeys, de Sheffield — uma das primeiras bandas a usar o poder das redes sociais para construir uma base de fãs. Seu álbum de estreia de 2006, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, tornou-se o álbum de estreia mais vendido da história das paradas do Reino Unido, após dois singles alcançarem o primeiro lugar nas paradas.
Essa onda de popularidade ajudou a impulsionar artistas tradicionalmente underground para o mainstream. O álbum "Good News for People Who Love Bad News" (2004), do Modest Mouse, entrou para o Top 40 dos EUA e recebeu uma indicação ao Grammy. O Bright Eyes emplacou dois singles em primeiro lugar na parada Billboard Hot 100 Single Sales em 2004. O álbum "Planes" (2005), do Death Cab for Cutie, estreou em 4º lugar nos EUA, permaneceu na parada da Billboard por quase um ano, ganhou disco de platina e também recebeu uma indicação ao Grammy. Com o termo "indie" repentinamente onipresente — da música à moda e ao cinema — alguns críticos começaram a argumentar que ele havia perdido completamente o seu significado.
Enquanto isso, os EUA viram uma segunda onda de bandas independentes alcançarem reconhecimento global. Grupos como The Black Keys, Kings of Leon, The Shins, The Bravery, Spoon, The Hold Steady e The National obtiveram sucesso tanto de crítica quanto de público. O maior destaque desse grupo foi o The Killers, formado em Las Vegas em 2001. Depois de ouvirem Is This It, eles descartaram grande parte de seu material inicial e o reescreveram com a influência do The Strokes em mente.
Seu single de estreia, "Mr. Brightside", tornou-se um fenômeno. Em abril de 2021, a música havia permanecido por 260 semanas (cinco anos) na parada de singles do Reino Unido — mais tempo do que qualquer outra canção. Em 2017, ela havia aparecido na parada em 11 dos 13 anos anteriores, incluindo uma sequência de 35 semanas que atingiu o pico na 49ª posição entre 2016 e 2017. Até o final de 2018, era a música indie rock mais reproduzida em streaming na história do Reino Unido e ainda era baixada centenas de vezes por semana até o final de 2017. Em março de 2018, "Mr. Brightside" alcançou outro marco: 200 semanas acumuladas no Top 100 do Reino Unido.
A Difusão do Indie Rock e a Ascensão do Indie de Aterro Sanitário
O sucesso de bandas como The Strokes, The Libertines e Bloc Party despertou o interesse de grandes gravadoras na cena do rock independente — uma tendência que só se intensificou após a ascensão do Arctic Monkeys. Nos anos seguintes ao lançamento de Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, uma enxurrada de novas bandas surgiu, incluindo The Rifles, The Pigeon Detectives e Milburn. Muitos desses artistas ofereciam uma versão mais formulaica e diluída do som de seus antecessores.
No final da década, os críticos começaram a se referir a essa onda como "indie de lixão" — um termo cunhado por Andrew Harrison, da revista Word, para descrever a enxurrada de bandas de guitarra indistinguíveis que inundavam o mainstream. Em um artigo da Vice de 2020, o vocalista do Razorlight, Johnny Borrell, foi apelidado de "o único homem que definiu, personificou e viveu o indie de lixão". Apesar de flertar com a energia bruta e o caos mítico de amor e ódio do The Libertines, o Razorlight era visto como emblemático de uma banda que incorporava a superfície, mas não a alma, do movimento — "impressionantemente mediana", como dizia o artigo.
Em uma coluna do The Guardian de 2009, o jornalista Peter Robinson declarou a era do indie de lixão oficialmente morta. Ele apontou The Wombats, Scouting for Girls e Joe Lean & the Jing Jang Jong como os pregos finais no caixão. "Se o indie trash fosse um jogo de Buckaroo", escreveu ele, "esses três teriam mandado toda aquela monotonia radiofônica pelos ares."
O indie de aterro sanitário acabou se tornando um símbolo de como o indie rock, outrora uma alternativa rebelde ao mainstream, se tornou saturado, mercantilizado e desprovido de sua essência.
O sucesso contínuo do indie rock: dos anos 2010 até os dias atuais
O sucesso comercial do indie rock se estendeu até a década de 2010 com grandes lançamentos como The Suburbs (2010) do Arcade Fire, Turn Blue (2014) do The Black Keys, Walls (2016) do Kings of Leon e Wonderful Wonderful (2017) do The Killers, que alcançaram o topo da Billboard 200 nos EUA e da parada oficial de álbuns no Reino Unido. The Suburbs inclusive levou para casa o Grammy de Álbum do Ano em 2011. Outros artistas indie — Florence and the Machine, The Decemberists e LCD Soundsystem — emplacaram singles número 1 nos EUA durante a década, enquanto bandas como Vampire Weekend, Bon Iver, Death Cab for Cutie, The Postal Service e Arctic Monkeys conquistaram discos de platina.
O terceiro álbum do Vampire Weekend, Modern Vampires of the City (2013), ganhou o Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa em 2014 e, em 2019, o crítico Tyler Clark, da revista Consequence, o descreveu como ainda "carregando a bandeira do indie rock no cenário musical". AM, do Arctic Monkeys (2013), tornou-se um dos maiores álbuns de indie rock da década — estreando em 1º lugar no Reino Unido, vendendo 157.329 cópias na primeira semana e se tornando o segundo álbum mais vendido do ano. Com AM, a banda se tornou o primeiro artista de uma gravadora independente a estrear em 1º lugar no Reino Unido com seus cinco primeiros álbuns. Em junho de 2019, AM havia passado 300 semanas no Top 100 da parada de álbuns do Reino Unido. O álbum também alcançou o 1º lugar na Austrália, Bélgica (Flandres), Croácia, Eslovênia, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Nova Zelândia e Portugal, e entrou no Top 10 em vários outros países.
Nos Estados Unidos, AM vendeu 42.000 cópias em sua primeira semana e estreou em 6º lugar na Billboard 200, tornando-se o lançamento de maior sucesso da banda Arctic Monkeys no país. Em agosto de 2017, o álbum recebeu a certificação de platina pela RIAA, com mais de 1 milhão de unidades equivalentes vendidas nos EUA. Em 14 de abril de 2023, todas as faixas do álbum haviam recebido certificação de prata ou superior pela BPI, sendo "Mad Sounds" a última a alcançar esse marco.

Arcade Fire
No início da década de 2010, o The 1975 começou a mesclar indie rock com sensibilidade pop — uma mudança que inicialmente polarizou a crítica. Eles foram eleitos a “Pior Banda” no NME Awards de 2014, mas em 2017 levaram para casa o prêmio de “Melhor Banda ao Vivo”. Yasmine Summan, da Alternative Press, escreveu que se 2013 e 2014 pudessem ser resumidos em um único álbum para os fãs de indie e música alternativa, seria o álbum de estreia autointitulado do The 1975. No The Guardian, o jornalista Mark Beaumont creditou à banda o mérito de “introduzir o indie rock ao mainstream”, comparando a influência do vocalista Matty Healy à de Pete Doherty, do The Libertines. A Pitchfork também listou o The 1975 como um dos artistas mais influentes da música desde 1995.
O sucesso da banda ajudou a impulsionar uma onda de artistas indie pop com estilo semelhante, um movimento que alguns críticos apelidaram de "Healywave". Nomes notáveis incluem Pale Waves, The Aces, Joan, Fickle Friends e No Rome. Entre eles, o Pale Waves se destacou comercialmente. Seu álbum de estreia, My Mind Makes Noises, alcançou o 8º lugar no Reino Unido, Who Am I? (2021) chegou ao 3º lugar e Unwanted (2022) alcançou o 4º lugar.
Quase simultaneamente, o Wolf Alice emergiu como uma força importante na cena. Seu segundo álbum, Visions of a Life (2017), ganhou o prestigioso Mercury Prize em 2018, e o terceiro, Blue Weekend (2021), foi indicado. Escrevendo para a Dork em 2021, Martin Young observou: “É impossível exagerar a importância do Wolf Alice. Eles foram o catalisador por trás de quase todas as bandas brilhantes sobre as quais você leu na Dork nos últimos cinco anos.”
Álbuns e músicas icônicas do indie rock
Quando os Buzzcocks lançaram Spiral Scratch em 1977, o álbum se tornou o primeiro álbum independente no sentido moderno. Inicialmente prensado em uma tiragem modesta de apenas 1.000 cópias, a banda e a indústria ficaram surpresas quando a demanda os obrigou a imprimir mais 15.000. O sucesso do EP marcou o início de uma crescente comunidade de artistas comprometidos com a independência do sistema das grandes gravadoras.
Outro álbum indie marcante foi Ten, do Pearl Jam. Embora mais comumente associado ao grunge, Ten desempenhou um papel fundamental na definição do som da cena de Seattle dos anos 90 e ajudou a popularizar o termo "grunge". Como muitos lançamentos indie e alternativos da época, o álbum demorou a ganhar popularidade inicialmente, levando cerca de um ano para entrar nas paradas da Billboard.
Liricamente, o indie rock sempre se inclinou para a narrativa — muitas vezes profundamente pessoal e emocionalmente impactante.
O álbum Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, capturou a angústia e a confusão da juventude sob pressão.
A música "Say It Ain't So" do Weezer contava a história de uma família destruída pelo alcoolismo, inspirada na infância do vocalista Rivers Cuomo. Já
"Mr. Brightside" do The Killers pintava um retrato vívido de ciúme e desilusão amorosa — um homem atormentado pela ideia de perder a pessoa amada para outra pessoa.
Essas canções, com sua emoção crua e experimentação sonora, ajudaram a moldar a essência do indie rock e continuam a inspirar novas gerações de músicos.
O futuro do rock independente
Com a música indie se tornando mais acessível e popular, muitos acreditam que o futuro da indústria musical pode estar nas mãos de artistas independentes. Com menos intermediários, os músicos indie têm a liberdade de romper barreiras, explorar novos sons e desenvolver suas próprias identidades em seus próprios termos.
A nova onda de artistas de hoje é frequentemente descrita como fluida em relação aos gêneros — borrando as fronteiras entre rock, pop, hip-hop e muito mais. Artistas como Dominic Fike e Declan McKenna representam essa mudança, criando músicas que desafiam classificações fáceis. À medida que a indústria musical e seus ouvintes se tornam mais diversos e de mente aberta, o indie rock — em todas as suas formas em constante evolução — está pronto para continuar crescendo, moldando e redefinindo o que a música moderna pode ser.